Baunilha e Chocolate

DJ Rui Vargas  
     
Biografia A sua carreira iniciou-se em 1988, e desde aí só tem conhecido um sentido – o ascendente – quer na crescente popularidade que foi conquistando, e que se traduz hoje num claro estatuto de culto, quer na evidente maturidade que o seu trabalho evidencia, fruto de uma constante procura de inovar, sem estar preso a dogmas e preconceitos, tendo apenas a qualidade como critério decisivo para os territórios que explora com uma coerência exemplar. A vocação de eximio divulgador músical começa para Rui Vargas com uma velha paixão pela Rádio. Passou pela RUT (Rádio Universidade do Tejo) e pela CMR (Correio da Manhã Rádio), antes de vir a integrar os quadros da Rádio Comercial, onde “À Margem de Certa Maneira”, programa da sua autoria que viria a dar nas vistas, mas que incompreensívelmente fecharia o primeiro ciclo “Hertziano” de Rui Vargas, que após o fim deste projecto esteve afastado da Rádio durante uns tempos. Quase acidentalmente, Rui Vargas iniciou entretanto a sua carreira como DJ. Começa como um “hobby”, algo que foi fazendo porque achava graça. Em 1990 inicia a sua residência no mitico clube lisboeta Frágil, onde de uma vez por todas começa a marcar de uma forma profunda a cultura de clube nacional, e a ter um papel decisivo na divulgação das mais modernas tendências da música de dança entre nós, na sua consolidação e, consequentemente, na formação uma audiencia cada vez mais aberta e esclarecida. Movimentando-se eminentemente em territórios próximos do House, mas sem nunca cair no fundamentalismo castrador de muitos, e procurando sempre outras fontes de inspiração como o Hip Hop, a Soul, o Jazz, o Funk, o Dub/Reggae, ou até o Tecno e o Electro, Rui Vargas teve um papel decisivo na descoberta, entre nós, de alguns dos mais carismáticos produtores contemporâneos, o que lhe foi valendo a conquista de um público cada vez maior e cada vez mais fiel, e contribuiu de forma incontestável para a manutenção, na década de 90, do Frágil como uma referência obrigatória do circuito nocturno nacional. A sua presença nas melhores festas produzidas por cá, ao lado dos mais respeitados DJs internacionais, é então uma consequência natural da qualidade e da coerência do seu trabalho, o que o leva actuar ao lado de nomes como Frankie Knukles, Tony Humphries, David Morales, François Kevorkian ou Harvey, entre muitos outros. Encerra-se mais um ciclo, e Rui Vargas é chamado a colaborar naquele que será o mais ambicioso projecto de sempre de animação nocturna nacional – o Lux – um dos melhores clubes europeus, concebido por Manuel Reis, o mesmo que havia já marcado Lisboa dos oitenta e inicio dos noventa com o Frágil, o mesmo que desde o inicio acreditara no talento e potencial, daquele que agora era chamado a dirigir a progamação deste espantoso novo espaço. Rui Vargas afirma-se em definitivo como uma figura crucial, não só do deejaying, mas das mais diversas frentes de divulgação músical neste país. Volta à Rádio, com um dos mais miticos programas da ultima década, Casa Bateria e Baixo, na Voxx. Inicia residências mensais em espaços obrigatórios fora de Lisboa, como, por exemplo, o Trintaeum e a Indústria, no Porto, onde depressa atinge um autêntico estatuto de culto; actua regularmente um pouco por todo o país, sempre em locais reconhecidos pela qualidade; é presença obrigatória nos melhores festivais produzidos entre nós; e inicia uma carreira internacional que o leva a mostrar o seus dotes um pouco por toda a Europa, e a ser convidado por clubes de enorme prestigio como o Ministry of Sound, o Cargo, o Bridge'n'Tunnel ou o Notting Hill Arts Club (nas lendárias sessões “Inspiration Information”, de Phil Asher e Patrick Forge) em Londres, ou do mítico Rootdown de Rainer Truby na Alemanha, para citar apenas alguns. Rui Vargas é hoje (depois de uma carreira já longa e gerida de uma forma quase irrepreensivel...) um exemplo e uma referência de toda uma geração. Na Rádio não desiste de abrir caminho á mais moderna e ambiciosa música contemporânea, seja de que género for, numa atitude de abertura e écletismo dificeis de igualar, que actualmente ganha expressão no programa da Antena 3 "Música com Pés e Cabeça". Como programador, colaborou decisivamente para fazer do Lux um clube de referência em todo o mundo, sendo co-responsável pela promoção de noites memoráveis com os mais importantes e inovadores DJs e projectos das diversas áreas da mais actual produção musical de qualidade. Como DJ é inconfundivel. Senhor de um estilo fortemente personalizado, alia a sua natureza divulgadora e uma invejável e desconcertante noção de pista. Os seus sets são contagiantes, feitos de uma dinâmica invulgar, e duma coerência ao alcance de poucos. A sua paixão pela música transparece nos mais pequenos detalhes das suas actuações, e a procura a que constantemente se obriga fazem das suas noites um imenso território de prazer e surpresa. Porque para Rui Vargas existe apenas uma obrigação: fazer sempre melhor... Vencedor na categoria de melhor Dj Nacional House dos prémios Dance Club Awards 2004.  
     
Descrição Rui Vargas é um dos poucos Djs que certamente fará história em Portugal.

A nossa memória colectiva, muitas vezes sem que tenhamos vivido em tempo real as experiências que a justificam, é feita de personalidades e lugares que nos são referência e com os quais o nossos imaginário se identifica. Quem é que não fica empolgado quando ouve (ou lê...) os testemunhos daqueles que tiveram o prazer de assistir a sets de David Mancuso no Loft, de Larry Levan no Paradise Garage ou, mais recentemente, de François Kevorkian, Danny Krivit e Joe Claussell no Body and Soul? É precisamente a partilha dessa vivência que faz destes locais e destes Djs autênticas lendas e objectos de culto.

Entre nós são muito poucos os Djs que gozam ou virão a gozar deste estatuto, mas Rui Vargas e por certo um deles. Mais. Se essa conjugação praticamente perfeita entre um Dj e um espaço, e toda a sua atmosfera, se reflectiu em Portugal terá sido sem dúvida no saudoso Kremlin de Tó Pereira (ou DJ Vibe) e com certeza nos últimos oito anos que marcaram a residência de Rui Vargas no Trintaeum.

Aqui, primeiro com Casa, Bateria e Baixo, e depois com Baunilha e Chocolate, Rui Vargas exprimiu a plenitude da sua sensibilidade como Dj, mostrou tudo o que faz dele uma personalidade especial, não encontrando nunca barreiras à afirmação do seu gosto multifacetado e encontrando sempre um público fiel e pronto para receber tudo o que ele estivesse disposto a partilhar.

O imaginário de muitos será alimentado pelos relatos de todos os que têm vivido com entusiasmo estes momentos e lhes sabem dar o devido valor.
 
     
     
     
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